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Descrição


É um templo de forma basilical (em cruz), de transepto saliente e cabeceira tripartida, com três naves separados por arcarias em arco de ferradura, sendo a central mais comprida e antecedida na fachada principal de um nártex de compartimento único. O interesse atual por esta igreja data, fundamentalmente, dos inícios do século XX, devido à descoberta, por diversos estudiosos, do seu estilo dito moçárabe (em que se conciliam elementos estruturais visigóticos cristãos com elementos da cultura árabe), fruto da presença árabe que dos séculos VIII ao XI dominou esta zona de território hoje português. São de salientar nesse contexto de influência árabe, além dos arcos em ferradura, as suas janelas em ajimez (janelas geminadas) que são, aliás, as únicas da Alta Idade em Portugal. É, também, desse estilo atualmente em Portugal.
Em 14 de junho de 1916 foi classificada como Monumento Nacional e, posteriormente, sujeita a importantes trabalhos de restauro em 1930 que pretenderam reabilitar o seu estilo primitivo (adulterado ao longo dos séculos), e que trouxeram para a luz vestígios arqueológicos bastante anteriores à igreja (nomeadamente da época romana). O seu orago é a “cadeira de São Pedro de Antioquia”, também o único orago existente em Portugal.
Esta igreja é, por ventura, a mais antiga em funcionamento ininterrupto de 1104 anos de culto cristão…! E está ainda associada a uma necrópole com sepulturas escavadas na rocha (de feições antropomórficas), sobre a qual a própria igreja assenta. Este cemitério, certamente de cronologias que compreendem a Alta Idade Média, manifesta-se, de igual modo, no adro da igreja, sendo este considerado «único na região do Mondego» pela própria DGENM.

Desde a sua nova feição adquirida no século XX que a Igreja de São Pedro de Lourosa se tem tornado objeto de peregrinação de estudiosos e de turistas culturais nacionais e estrangeiros. Foi incluída há alguns anos na Rota da Moura Encantada (roteiro de percursos europeus que denotam a presença árabe), e, pela primeira vez (2002), objeto de uma dissertação de mestrado na Faculdade de Letras de Lisboa, da autoria de Paulo de Almeida Fernandes. Em 2012 foi alvo de intensas celebrações jubilares pelos seus 1100 anos, tendo originado diversos tipos de eventos religiosos, culturais e artísticos, e até mesmo uma primeira feira moçárabe, pioneira no País, que já teve quatro edições.

 

 in Folheto Igreja Moçárabe de São Pedro de Lourosa: Monumento Nacional. Ed. Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (2016)